A sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós.

Marcel Proust

Marcel Proust

Profissão: Autor
Nacionalidade: Francês

Sugestões para você :

Quando trasnformamos nossos sofrimentos em ideias, eles perdem um pouco o poder que tê de ferir nosso coração.

O amor causa verdadeiros levantamentos geológicos do pensamento.

Não advertia que aquele detalhe verdadeiro tinha ângulos que só podiam encaixar-se nos detalhes contíguos do fato verdadeiro de que imprudentemente o destacara e que, quaisquer que fossem os detalhes inventados entre os quais o colocasse, sempre revelariam, pela matéria excedente e os vazios não preenchidos, que não era ali o seu lugar.

É, de resto, uma das coisas mais terríveis para o apaixonado que, sendo os fatos particulares - que só a experiência, a espionagem, entre tantas realizações possíveis, dariam a conhecer - tão difíceis de descobrir, a verdade, em compensação, seja tão fácil de conhecer ou, em todo caso, de pressentir.

Assim como o futuro, não é de uma vez, mas pouco a pouco que saboreamos o passado.

As pessoas querem aprender a nadar e ter um pé no chão ao mesmo tempo.

O nosso eu é edificado pela superposição de estados sucessivos. Mas essa superposição não é imutável, como a estratificação de uma montanha. Levantamentos contínuos fazem aflorar à superfície camadas antigas.

As qualidades e os defeitos que uma criatura apresenta dispostos no primeiro plano de sua face arranjam-se numa formação muito diversa quando a abordamos por um lado diferente - como, numa cidade, os monumentos espalhados em ordem dispersa numa linha única, sob outra perspectiva escalonam-se em profundeza e trocam suas grandezas relativas.

Essas demarcações tão estreitas que traçamos ao redor do amor provêm unicamente da nossa grande ignorância da vida.

O homem é a criatura que não pode sair de si, que só conhece os outros em si, e, dizendo o contrário, mente.

Com os prazeres, dá-se o mesmo que com as fotografias. O que apanhamos na presença da criatura amada não passa de um negativo; revelamo-lo mais tarde, uma vez em casa, quando encontramos à nossa disposição essa câmara escura interior cuja entrada é proibida enquanto há gente à vista.

Pretendem os poetas que tornamos a encontrar por um momento o que fomos outrora, quando entramos em certa casa, em certo jardim em que vivemos na juventude. São peregrinações muito arriscadas, essas, ao fim das quais se colhem tantas decepções como êxitos. Os lugares fixos, coevos de anos diferentes, é em nós mesmos que é melhor encontrá-los.

Pode-se ter inclinação por uma pessoa. Mas para desencadear essa tristeza, esse sentimento do irreparável, essas angústias, que preparam o amor, é preciso - e talvez isso e não a pessoa amada seja o ansiado objeto da paixão - o risco de uma impossibilidade.

cada leitor, quando lê, é um leitor de si mesmo.