A felicidade é salutar para os corpos, mas é o desgosto que desenvolve as forças do espírito.

Marcel Proust

Marcel Proust

Profissão: Autor
Nacionalidade: Francês

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O que censuro aos jornais é fazer-nos prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, ao passo que nós lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais.

A esperança de ser aliviado lhe dá ânimo para sofrer.

De sorte que é um erro falar em má escolha de amor, pois, desde que há escolha, só pode ser má.

Menosprezamos facilmente um objetivo que não conseguimos alcançar ou que alcançámos definitivamente.

Preenchemos a aparência física do ser que vemos com todas as noções que temos a seu respeito, e, para o aspecto global que nos representamos, tais noções certamente entram com a maior parte.

Aliás, o amor é um mal incurável como aquelas diáteses em que o reumatismo só dá tréguas para ceder lugar a enxaquecas epileptiformes.

São as paixões que esboçam os nossos livros, e o intervalo de repouso entre elas que as escreve.

É sempre devido a um estado de espírito não destinado a durar que se tomam resoluções definitivas.

Com os prazeres, dá-se o mesmo que com as fotografias. O que apanhamos na presença da criatura amada não passa de um negativo; revelamo-lo mais tarde, uma vez em casa, quando encontramos à nossa disposição essa câmara escura interior cuja entrada é proibida enquanto há gente à vista.

Uma verdade claramente compreendida não pode ser escrita com sinceridade.

A covardia, que nos desvia de toda tarefa difícil e de toda obra importante, me aconselhou a deixar isso de lado, a beber meu chá pensando simplesmente nos meus aborrecimentos de hoje e nos meus desejos de amanhã, que se deixam ruminar sem custo.

É espantoso como o ciúme, que passa o tempo a fazer pequenas suposições em falso, tem pouca imaginação quando se trata de descobrir a verdade.

Mas uma lembrança, um pesar são coisas móveis. Dias há em que se vão para tão longe que mal os distinguimos e os julgamos desaparecidos. Começamos então a atentar noutras coisas.

Acontece com a velhice o mesmo que com a morte. Alguns enfrentam-nas com indiferença, não porque tenham mais coragem do que os outros, mas porque têm menos imaginação.