Em certa idade, quer pela astúcia quer por amor próprio, as coisas que mais desejamos são as que fingimos não desejar.

Marcel Proust

Marcel Proust

Profissão: Autor
Nacionalidade: Francês

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As pessoas dizem sempre aquilo que precisam de dizer, o que não será entendido pelos outros; falar é uma coisa destinada a si mesmo.

É admirável como o ciúme, que passa o tempo a fazer pequenas suposições do que é falso, tem pouca imaginação quando se trata de descobrir o que é verdadeiro.

Quem sabe é preciso que as criaturas sejam capazes de nos causar muito sofrimento para que nas horas de remissão nos proporcionem o mesmo alívio que a natureza.

Pois tanto a pena como o desejo, o que querem não é analisar-se, mas satisfazer-se.

É muita vez apenas por falta de espírito criador que não se vai bastante longe no sofrimento. E a realidade mais terrível dá, ao mesmo tempo que o sofrimento, a alegria de uma bela descoberta, porque não faz senão dar uma forma nova e clara ao que ruminávamos desde muito sem o saber.

Apenas discerni que repetir o que toda a gente pensava não era em política um sinal de inferioridade, mas de superioridade.

A covardia, que nos desvia de toda tarefa difícil e de toda obra importante, me aconselhou a deixar isso de lado, a beber meu chá pensando simplesmente nos meus aborrecimentos de hoje e nos meus desejos de amanhã, que se deixam ruminar sem custo.

Em suma, minha tia exigia, ao mesmo tempo em que a aprovassem em seu regime, que a lamentassem por seus padecimentos e que a tranquilizassem quanto ao futuro.

Acreditar na medicina seria a suprema loucura se não acreditar nela não fosse uma maior ainda, pois desse acumular de erros, com o tempo, resultaram algumas verdades.

A pessoa amada é sucessivamente o mal e o remédio, que suspende ou agrava o mal.

Assim como o futuro, não é de uma vez, mas pouco a pouco que saboreamos o passado.

É espantoso como o ciúme, que passa o tempo a fazer pequenas suposições em falso, tem pouca imaginação quando se trata de descobrir a verdade.

Uma obra em que há teorias é como um objecto no qual se deixa a etiqueta do preço.

Um homem que dorme mantém em círculo em torno de si o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Ao acordar consulta-os instintivamente e neles verifica em um segundo o ponto da terra em que se acha, o tempo que decorreu até despertar; essa ordenação, porém, pode-se confundir e romper.