Num mundo imperfeito, não há ninguém que esteja sempre certo. Da mesma maneira, ninguém está sempre errado.

José Luís Peixoto

José Luís Peixoto

Profissão: Poeta
Nacionalidade: Português

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O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir.

A sabedoria mais fina é a que distingue imagens no invisível.

O caminho da justiça é uma linha fina, desacerta-se ao milímetro. Já o caminho da infâmia é tudo o resto, pode avançar-se durante anos nesse terreno sem lhe achar o fim.

Quando me cansei de mentir a mim a mim próprio, comecei a escrever um livro de poesia.

Não sei o que é a loucura ou a normalidade. Para escrever é importante fugir da norma, mas duvido que isso seja a loucura.

A ingenuidade faz o sangue circular com mais fluidez do que o cinismo. A ingenuidade desconhece o colesterol. O cinismo é hipertenso.

Há muitas coisas que percebo que não sou, mas dizer exactamente o que sou não consigo. Tento, dia a dia, ganhar o título de ser uma pessoa. E já não é pouco.

Ninguém aprende a tocar guitarra sem aleijar as pontas dos dedos. Se eu me tivesse convencido de que não aguentava mais, tinhas ficado por nascer. Às vezes, o cansaço é uma forma de medo.

Mas o que é a felicidade? Se a alcançássemos, seríamos capazes de possuí-la?

Os anos encarregar-se-ão de apagar tudo o que julguei ser certo e nunca foi, para ficar apenas o que aconteceu e, por fim, até isso ser também esquecido.

Aquilo que vivi é um presente embrulhado em palavras, nitidez de um lado e de outro, caminho até ao centro de alguma coisa ou de alguém, eu. Aquilo que vivi é a oferta única de um sorriso que não precisa de explicação.

Uma máquina: aquilo que entra determina aquilo que sai. Se passámos o dia a receber notícias de crimes, assassínios à facada, corpos esquartejados, teremos medo à noite, caminharemos receosos pelos cantos. Até o espelho será olhado com desconfiança.

Existe aquele tempo parado. Aquela dor que não tem nome. Todos os dias entramos e saímos por portas, todos os dias respiramos, todos os dias erguemos a memória do mundo: manhãs de sol. Às vezes, duvidamos do tempo. Sabemos rir. Tentamos planos como crianças que dão os primeiros passos.

Ainda bem que existem pessoas mais interessadas em barragens do que eu. São essas pessoas que garantem a existência dessas obras imensas que, quando não agridem a natureza, são um bem de grande valor para toda a gente, mesmo para aqueles que nunca se conseguiram interessar por barragens, como é o meu caso.