Os seus olhos ganharam brilho num silencioso agradecimento: só é olhado pelo céu quem olha para as estrelas.

Mia Couto

Mia Couto

Profissão: Autor
Nacionalidade: Moçambicano

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Qual é a responsabilidade do escritor para com a democracia e com os direitos humanos? É toda. Porque o compromisso maior do escritor é com a verdade e com a liberdade. Para combater pela verdade o escritor usa uma inverdade: a literatura. Mas é uma mentira que não mente.

A nossa vida é feita de esperas. E, afinal, basta uma palavra, uma só palavra para sermos deuses, isentos de esperas.

A tristeza engorda mais que o caril de mandioca.

O silêncio não é a ausência da fala, é o dizer-se tudo sem nenhuma palavra.

A lágrima nos universa, nela regressamos ao primeiro início. Aquela gotinha é, em nós, o umbigo do mundo. A lágrima plagia o oceano.

Em meio da vida sempre se faz a inexistente conta: temos mais ontens ou mais amanhãs?

esperto é o mar que, em vez da briga, prefere abraçar o rochedo.

A felicidade só cabe no vazio da mão fechada. A felicidade é uma coisa que os poderosos criaram para ilusão dos mais pobres.

Nação e etnia podem viver sem conflito. Como aconteceu em inúmeros momentos históricos. Mas são também oportunidade para demagogos e ambiciosos promoverem os seus interesses pessoais ou de grupo.

Somos todos parecidos: santos para viver, demónios para sobreviver.

As ideias não nascem de uma base física, mas dos nossos encontros e desencontro da vida.

Quando nascemos sabemos tudo, mas não lembramos nada. Depois crescemos, vamos ganhando lembrança e encolhendo sabedoria.

Assim esteve Deus para mim: primeiro, ausente, depois, desaparecido.

A vida é água endurecendo a pedra. Afinal, requer-se fartura de coração.