Por muito cuidado que se tenha, educar é podar; deixar crescer com toda a força o ramo que nos agrada.

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva

Profissão: Filósofo
Nacionalidade: Português

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Fala-se muito contra o analfabetismo e ele é porventura um grande mal; mas não se repara em que há outros analfabetismos ainda mais graves: o de um especialista de determinada matéria que nada conhece do que os outros estudam ou o dos que vão morrer inconscientes do espectáculo em que Deus os jogou.

Todo o fim é contemporâneo de todo o princípio; só a nossos olhos vem depois.

O mal que se vê é aguilhão para o bem que se deseja; e quanto mais duro, quanto mais agressivo, se bate em peito de aço, tanto mais valioso auxiliar num caminho de progresso.

O homem olímpico não ignora o seu contrário, não foge à sua dor: utiliza-a como a um instrumento de perfeição.

Só pensar não é uma ilusão; logo, porém, se lhe procuro o sujeito me entro em ilusório.

Quem inveja vida boa de gato esquece que, se o fosse e a tivesse, jamais o saberia.

Vai sendo o que sejas até seres o que és, que é Deus sendo; e, cuidado, não te percas enquanto vais sendo.

Nenhum político deve esperar que lhe agradeçam ou sequer lhe reconheçam o que faz; no fim de contas era ele quem devia agradecer pela ocasião que lhe ofereceram os outros homens de pôr em jogo as suas qualidades e de eliminar, se puder, os seus defeitos.

Ser-se anti-especialista nada vale quando o que o for se deixa esmagar pelo que sabe e reparte a sua actividade pelos diversos campos, a cada passo um homem diferente.

Como nada entenderam do passado nada podem sonhar para o futuro.

Entende-se o medíocre; não se entende, porém, que quem se ama nele mergulhe.

Não creio que a coisa melhor do homem seja ser normal, como não me parece ser a fruta melhor do mundo a normalidade que agora Portugal está importando, ou a CEE (enquanto existe CEE, claro) vai obrigar a importar.

Se estás disposto a nunca usar da violência, e sempre resistindo, torna-te forte de corpo e de alma; é a mais difícil de todas as atitudes.

A juventude engana: às vezes há um simples ímpeto animal, um rebentar de Primavera, mas sem fruto.