Não sei o que é a loucura ou a normalidade. Para escrever é importante fugir da norma, mas duvido que isso seja a loucura.

José Luís Peixoto

José Luís Peixoto

Profissão: Poeta
Nacionalidade: Português

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Durante uma vida completa, as espigas também são farinha e pão. Assim se compreendem os meandros dos rios mais irregulares: as contrariedades são tão indispensáveis como as grandes vitórias.

Nunca nenhum homem suportou a escuridão sem nenhuma luz.

Confiamos demasiado na nossa memória. Confiamos demasiado em papéis escritos e em cicatrizes. Se perguntar o que é o passado, sei que vou fugir da resposta. Se perguntar o que é o futuro, sei que não existe resposta.

Tudo é possível, nada é impossível. Não deixes que te armadilhem de cálculos e labirintos. São demasiado fáceis de construir. Quando mal entendidos, são máquinas de guerra.

Faço perguntas às minhas próprias dúvidas e lembro-me de um filme antigo quando percebo que não respondem: silêncio a preto e branco.

A memória como uma maldição. Caímos na eternidade e a memória é um peso, continua a prender-nos em qualquer ponto para onde nunca poderemos voltar.

Por cada coração, terás um rosto próprio, essa será a medida justa.

Com a chuva, parece que quanto mais se olha para as nuvens, menos elas parecem dispostas a mandar alguma pinguinha de água. É assim com a maior parte das coisas. É quando a gente se esquece que, de repente...

Às vezes, tenho medo de estar a criar uma distância insuperável entre mim e as pessoas que me são queridas. O perigo não é a distância física, os milhares de quilómetros que muitas vezes nos separam, o perigo é deixarmos de nos entender. Mesmo ausentes, continuamos a existir em todos os momentos.

Já diziam os antigos que há duas maneiras de procurar: uma é andar às voltas à procura daquilo que se perdeu, outra é ficar num sítio à espera que aquilo que se perdeu nos encontre.

Somos demasiado pequenos, somos muito pouco. Somos uma agulha de pinheiro diante de um incêndio, somos um grão de terra diante de um terramoto, somos uma gota de orvalho diante de uma tempestade.

Num mundo imperfeito, não há ninguém que esteja sempre certo. Da mesma maneira, ninguém está sempre errado.

Uma casa cheia de livros era como uma cabeça confundida com memórias e atravessada por fantasias, impressões e conclusões baseadas nessa mistura.

A solidão era um céu maior que a noite e onde não havia mais que noite e frio, era um lugar negro que o olhar via.