Mais uma vez ou duas na vida - talvez num fim de tarde, num instante de amor, no momento de morrer - teria sublime inconsciência criadora, a intuição aguda e cega de que era realmente imortal para todo o sempre.

Clarice Lispector

Clarice Lispector

Profissão: Autor
Nacionalidade: Brasileiro

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O grande castigo neutro da vida geralmé que ela de repente pode solapar uma vida; se não lhe for dada a força dela mesma, então ela rebenta como um dique rebenta - e vem pura, sem mistura nenhuma: puramente neutra. Aí estava o grande perigo: quando essa parte neutra de coisa mão embebe uma vida pessoal, a vida vem toda puramente neutra.

Nunca deixe de fazer algo de bom que o seu coração pede, o tempo pode passar e a oportunidade também. Não esqueça que: meta, a gente busca. Caminho, a gente acha. Desafio, a gente topa. Vida, a gente enfrenta. Saudade, a gente mata. Sonho, a gente realiza.

E eu não agüento a resignação. Ah, como devoro com fome e prazer a revolta.

Sei que tudo é perfeito, porque seguiu de escala a escala o caminho fatal em relação a si mesmo. Nada escapa à perfeição das coisas, é essa a história de tudo.

Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estado primário de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me...

Como, pois, inaugura agora em mim o pensamento? E talvez só o pensamento me salvasse, tenho medo da paixão.

Divido-me milhares de vezes em quantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentaria que sou e precários os momentos -só me comprometo com a vida que nasca com o tempo e com ele cresca: só no no tempo a espaco para mim.

O dia corre lá fora e há abismos de silêncio em mim.

Sinto que viver é inevitável.

Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue. Os sentimentos são sempre uma surpresa.

Os humanos têm obstáculos que não dificultam a vida dos animais, como raciocínio, lógica, compreensão. Enquanto os animais têm a esplendidez daquilo que é directo e se dirige directo.

O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo.

Talvez a pergunta vazia fosse apenas para que um dia alguém não viesse a dizer que ela nem ao menos havia perguntado. Por falta de quem lhe respondesse ela mesma parecia se ter respondido: é assim porque é assim.

Ver as pessoas mudando não é o que machuca. O que machuca é lembrar quem elas costumavam ser.