O doente imagina o mundo e o são o possui. (…) O doente pensa que não pode apenas pela sua doença e o forte sente inútil sua força.

Clarice Lispector

Clarice Lispector

Profissão: Autor
Nacionalidade: Brasileiro

Sugestões para você :

Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão.

Alegro com brio. Tentarei tirar ouro do carvão.

Não me julgue, não me critique, apenas me aceite. Não nasci para corresponder expectativas, mas para ser feliz.

Mas é que o erro das pessoas inteligentes é tão mais grave: elas têm os argumentos que provam.

Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir.

Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo. (...) Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. Sou um coração batendo no mundo.

Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma.

Eu sei de muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo o que não sei e – por ser um campo virgem – está livre de preconceitos. Tudo o que não sei é a minha parte maior e melhor: é minha largueza. É com ela que eu compreenderia tudo. Tudo o que eu não sei é que constitui a minha verdade.

Escrevo-te em desordem, bem sei. Mas é como vivo. Eu só trabalho com achados e perdidos.

Oh, havia muitos motivos de alegria, alegria sem riso, séria, profunda, fresca. Quando descobria coisas a respeito de si mesma exactamente no momento em que falava o pensamento correndo paralelo à palavra.

Entre a palavra e o pensamento existe o meu ser. Meu pensamento é puro ar impalpável, insaisissable. Minha palavra é de terra. Meu coração é vida. Minha energia electrónica é mágica de origem divina. Meu símbolo é o amor. Meu ódio é energia atómica.

Amor é achar bonito uma bota, amor é gostar da cor rara de um homem que não é negro, amor é rir de amor a um anel que brilha.

O mundo já caiu, só me resta dançar sobre os destroços.

Ia me fazer muito bem abrir afinal meu coração e mostrar afinal a alguém que fechasse os olhos e não ouvisse, que horror pode se guardar numa pessoa. A solidão de que sempre precisei é ao mesmo tempo inteiramente insuportável.