A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado.

Mia Couto

Mia Couto

Profissão: Autor
Nacionalidade: Moçambicano


A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado. Mia Couto

Sugestões para você :

Nenhum homem é distante. Todo o homem se torna próximo na luta a favor da humanidade.

Não viver é o que mais cansa.

O pranto é o consumar de duas viagens: da lágrima à luz e do homem para uma maior humanidade. Afinal a pessoa não vem à luz logo em pranto? O choro não é a nossa primeira voz?

A festa é a tristeza fazendo o pino. Nela a gente se comemora num futuro sonhado.

Não aspire ser centro de nada. A importância aqui é muito mortal. Veja, por exemplo, essas avezitas que pousam no dorso dos hipopótamos. Sua grandeza é o seu tamanho mínimo. É essa a nossa arte, nossa maneira de nos fazermos maiores: catando nas costas dos poderosos.

A gargalhada é mulher, o riso é masculino.

Nascemos e choramos. A nossa língua materna não é a palavra. O choro é o nosso primeiro idioma.

Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.

Esquecer os deveres básicos de solidariedade é uma violência, uma cobardia escondida em nome do bom-senso.

Fazer amor, sim e sempre. Dormir com uma mulher, isso é que nunca. Dormir com alguém é a intimidade maior. Não é fazer amor. Dormir, isso é que é íntimo. Um homem dorme nos braços de uma mulher e a sua alma transfere-se de vez. Nunca mais ele encontra as suas interioridades.

Uns não vivem por temer morrer; eu não morro por temer viver.

Quem vive num labirinto, tem fome de caminhos.

Assim esteve Deus para mim: primeiro, ausente, depois, desaparecido.

Neste lugar, não há pedacitos. Todo o tempo, a partir daqui, são eternidades.