Goethe diz, com verdade, que o Deus de cada homem é como esse homem; não será então o Deus do maior homem o maior Deus?

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Profissão: Autor
Nacionalidade: Português

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Ninguém entende ninguém. Tudo é interstício e acaso, mas está tudo certo.

Não escrevo em português. Escrevo eu mesmo.

Sei que o mundo existe, mas não sei se existo.

Porque é bela a arte? Porque é inútil. Porque é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções.

Mas abre os olhos e vê o sol, E já não pode pensar em nada, Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos De todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz E por isso não erra e é comum e boa. Metafísica?

O essencial é sentir directa e simplesmente. Eu sinto directa e simplesmente. Sinto o complexo, o anormal e o artificial? É o meu modo de sentir. Logo que eu os sinta espontaneamente, estou no meu lugar, no lugar que a Natureza, criando-me assim, me impôs. Cumpro o meu dever.

Ai dos que não podem compreender que o oiro é brilhante e o ouro baço!

Tudo quanto o homem expõe ou exprime é uma nota à margem de um texto apagado de todo. Mais ou menos, pelo sentido da nota, tiramos o sentido que havia de ser o do texto; mas fica sempre uma dúvida, e os sentidos possíveis são muitos.

O que não tem limites não existe. Existir é haver outra coisa qualquer, e portanto cada coisa ser limitada.

Qualquer caminho leva a toda a parte.

Fúria fria do destino, intersecção te tudo, confusão das coisas com as susas causas e os seus efeitos, consequência de ter corpo e alma, e o som da chuva chega até eu ser, e é escuro.

Se um homem nasceu para escravo, a liberdade, sendo contrária à sua índole, será para ele uma tirania.

Nada se sabe,tudo se imagina.

Por instinto desnaturo os instintos. Sem querer, quero erradamente.