O que se pretende em toda e qualquer guerra não é apenas ganhar. É abolir o inimigo, dissolver o Outro. É fazer desaparecer não apenas o adversário mas todo o seu mundo. Pretende-se anular a sua história, apagar a sua memória.

Mia Couto

Mia Couto

Profissão: Autor
Nacionalidade: Moçambicano

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Os seus olhos ganharam brilho num silencioso agradecimento: só é olhado pelo céu quem olha para as estrelas.

Só há um modo de enfrentar as más lembranças: é mudar radicalmente de viver, decepar raízes e fazer as pontes desabarem.

Não há conhecer sem lembrar. Mas o conhecer é um engano. E o lembrar é uma mentira.

O mar é o habilidoso desenhador de ausências.

Só quando danço me liberto do tempo: esvoaçam as memórias, levantam voo de mim.

O homem é como a casa: deve ser visto por dentro.

O voar não vem da asa. O beija-flor tão abreviadinho de asa, não é o que voa mais perfeito?

Vocês, homens, vêm para casa. Nós somos a casa.

A vida é assim: peixe vivo, mas que só vive no correr da água. Quem quer prender esse peixe tem que o matar. Só assim o possui em mão. Falo do tempo, falo da água. Os filhos se parecem com água andante, o irrecuparável curso do tempo. Um rio tem data de nascimento? Em que dia exacto nos nascem os filhos?

Não me interessa ter razão, não tenho apetência para esse tipo de poder, de marcar uma posição, dar um murro na mesa. Se entro numa discussão é à maneira chinesa, simplesmente para sugerir que pode haver outra maneira de olhar para as coisas.

A vida é um por enquanto que há-de vir.

A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos.

As mulheres são muito extensas, a gente viaja-lhes, e perdemo-nos sempre.

O barco de cada um está dentro de seu próprio peito.