A pessoa amada é sucessivamente o mal e o remédio, que suspende ou agrava o mal.

Marcel Proust

Marcel Proust

Profissão: Autor
Nacionalidade: Francês

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E eu continuava resistindo. E essa resistência me custava cada vez menos esforço, porque, por muito apego que se tenha ao veneno que nos está fazendo mal, quando por uma necessidade se passa algum tempo sem ingeri-lo, não é possível deixar de apreciar o descanso, que antes era coisa desconhecida, e a ausência de emoções e sofrimentos.

Pode-se ter inclinação por uma pessoa. Mas para desencadear essa tristeza, esse sentimento do irreparável, essas angústias, que preparam o amor, é preciso - e talvez isso e não a pessoa amada seja o ansiado objeto da paixão - o risco de uma impossibilidade.

Os homens podem ter várias espécies de prazer. O verdadeiro é aquele pelo qual eles deixam outro.

A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos.

Lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais.

Pois a posse do que se ama é uma alegria ainda maior do que o amor. Muitas vezes os que escondem de todos essa posse, só o fazem pelo medo de que o objeto amado lhes seja roubado. E a felicidade deles fica diminuída por aquela prudência de calar.

Passamos a vida a mentir, até, sobretudo, talvez apenas, àqueles que amamos. Com efeito, somente esses podem pôr em perigo os nossos prazeres e fazer-nos desejar a sua estima.

Pois tanto a pena como o desejo, o que querem não é analisar-se, mas satisfazer-se.

A sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós.

Ao falar, imaginamos sempre que nos escutam com os nossos ouvidos, com a nossa alma.

Quis exprimir-lhe o que havia sonhado: trêmulo de emoção, tinha o máximo escrúpulo de que minhas palavras fossem todas o equivalente mais sincero possível do que eu sentira e jamais tentara formular a mim mesmo; o que quer dizer que minhas palavras não tiveram a mínima clareza.

Pois a posse do que se ama é uma alegria ainda maior do que o amor.

São as paixões que esboçam os nossos livros, e o intervalo de repouso entre elas que as escreve.

Em certa idade, quer pela astúcia quer por amor próprio, as coisas que mais desejamos são as que fingimos não desejar.