Por necessidade de recolhimento livrei-me de Deus, desembaracei-me do último chato.

Emile Cioran

Emile Cioran

Profissão: Filósofo
Nacionalidade: Francês

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Aceitaríamos facilmente os desgostos se a razão ou o fígado não sucumbissem a eles.

Só tem convicções aquele que não aprofundou nada.

As últimas folhas caem dançando. Necessita-se de uma grande dose de insensibilidade para fazer frente ao outono.

Esperar é desmentir o futuro.

A obsessão pelo suicídio é própria de quem não pode viver, nem morrer, e cuja atenção nunca se afasta dessa dupla impossibilidade.

Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas opiniões sobre eles, o amor, a amizade, o devotamento seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos, nenhum de nós proferiria um “eu” sem envergonhar-se.

No edifício do pensamento não encontrei nenhuma categoria na qual pousar a cabeça. Em contrapartida, que belo travesseiro é o Caos.

O combate que travam em cada indivíduo o fanático e o impostor faz com que não saibamos nunca a quem nos dirigir.

Odeio a sabedoria desses homens a quem as verdades não afetam, que não sofrem por causa dos seus nervos, da sua carne e do seu sangue. Só amo as verdades vitais, as verdades orgânicas saídas da nossa inquietude.

Que vale mais: realizar-se na ordem literária ou na ordem espiritual, ter talento ou força interior? Parece a segunda fórmula a preferível, pois mais rara e enriquecedora. O talento destina-se ao olvido, em contrapartida a força interior aumenta com os anos, podendo atingir seu apogeu no momento em que a pessoa expira.

O limite de cada dor é uma dor maior.

O momento em que pensamos ter compreendido tudo dá-nos ar de assassinos.

Enquanto preparavam a cicuta, aprendia Sócrates uma canção na flauta. “Para que te servirás? lhe perguntaram.” “Para sabê-la antes de morrer.” Ouso recordar esta resposta que os manuais banalizaram, pois que ela me parece a única justificação séria da vontade de conhecer, que se dá até mesmo às portas da morte ou em outro momento qualquer.

Não queria viver em um mundo vazio de todo sentimento religioso. Não penso na fé, mas nessa vibração interior, independente de qualquer crença que nos projeta para Deus e, às vezes, mais acima.