Sou cada pedaço infernal de mim.

Clarice Lispector

Clarice Lispector

Profissão: Autor
Nacionalidade: Brasileiro

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Eu escrevo para me livrar da carga difícil de uma pessoa ser ela mesma.

O doente imagina o mundo e o são o possui. (…) O doente pensa que não pode apenas pela sua doença e o forte sente inútil sua força.

Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por que dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma.

Meu egoísmo é revelar só um pedaço do que sou, só a parte boa, a mocinha da história. Tenho, dentro de mim, um elenco de coadjuvantes que não deixo que brilhem, que não dão autógrafos nem saem nas capas de revista. Egoísta. Poupando o mundo do meu lado sórdido, que costuma ser o mais interessante.

Nós não somos geniais. Nós que não soubemos nos apossar da única coisa completa que nos é dada ao nascimento: o génio da vida.

O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.

Como é chato lidar com fatos, o cotidiano me aniquila, estou com preguiça de escrever esta história que é um desabafo apenas. Vejo que escrevo aquém e além de mim. Não me responsabilizo pelo que agora escrevo.

Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre.

Preciso aprender a não precisar de ninguém.

Eu sonho acordada, mesmo, como uma mocinha de quinze anos. É o que se chama de sonho estéril. Imagino situações, imagino conversas e cenas - pareço nunca ter tido nenhuma experiência.

Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo pra sempre...

A verdade está em alguma parte: mas inútil pensar. Não a descobrirei e no entanto vivo dela.

Dedico-me à tempestade de Beethoven. À vibração das cores de Bach. A Chopin que me amolece os ossos.

É determinismo, sim. Mas seguindo o próprio determinismo é que se é livre. Prisão seria seguir um destino que não fosse o próprio. Há uma grande liberdade em se ter um destino. Este é o nosso livre-arbítrio.