A riqueza é como o sal. Só serve para temperar.

Mia Couto

Mia Couto

Profissão: Autor
Nacionalidade: Moçambicano

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A lágrima nos universa, nela regressamos ao primeiro início. Aquela gotinha é, em nós, o umbigo do mundo. A lágrima plagia o oceano.

A nossa família sempre é assim, maior que a humanidade.

A imagem é tanto mais bela quanto ela for auditiva, evocando sonoridades do momento.

Que o amor é como o mar: sendo infinito espera ainda em outra água se completar.

Toda a vida acreditei: amor é dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. Demais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada. Ninguém no plural. Ninguéns.

A dor é uma janela por onde a morte nos espreita.

O que me move é a vocação divina da palavra, que não apenas nomeia mas que inventa e produz encantamento.

Há perguntas que não podem ser dirigidas às pessoas, mas à vida. Pergunte à vida, senhor. Mas não a este lado da vida. Porque a vida não acaba do lado dos vivos. Vai para além, para o lado dos falecidos.

O tempo é o eterno construtor de antigamentes.

Os seus olhos ganharam brilho num silencioso agradecimento: só é olhado pelo céu quem olha para as estrelas.

Rirmos juntos é melhor do que falar a mesma língua. Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso.

Tenho escrito repetidamente que o nosso maior inimigo somos nós mesmos. O adversário do nosso progresso está dentro de cada um de nós, mora na nossa atitude, vive no nosso pensamento. A tentação de culpar os outros em nada nos ajuda. Só avançamos se formos capazes de olhar para dentro e de encontrar em nós as causas dos nossos próprios desaires.

Tenho de viver já, senão esqueço-me.

A vida é um por enquanto que há-de vir.