E depois fechava os olhos outra vez, e em tudo isto era feliz.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram.

E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta, porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta, e nada que se pareça com isto devia ser o sentida da vida...

Ver com facilidade todas as coisas, e gozar a vida realizando um grande número de sonhos.

E falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, uma frase,e a vida dói quanto mais se goza e quanto mais se inventa.

Fúria fria do destino, intersecção te tudo, confusão das coisas com as susas causas e os seus efeitos, consequência de ter corpo e alma, e o som da chuva chega até eu ser, e é escuro.

A arte é, como toda a actividade, um indício de força e energia.

Eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis, que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou.

Ah, como pude eu pensar, sonhar aquelas coisas? Que longe estou do que fui há uns momentos!

Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim.

Eu de cabeça para baixo no centro da minha consciência de mim.

Sinto na minha cabeça a velocidade do giro da terra, e todos os países e todas as pessoas giram dentro de mim.

Saber onde estar para poder estar em toda a parte.

Caem folhas no chão regularmente, mas o fato é que é sempre outono no outono, e o inverno vem depois fatalmente, e há só um caminho para a vida, que é a vida...

Multipliquei-me para me sentir, para me sentir, precisei ser tudo, transbordei, não fiz se não extravasar-me, despi-me, entreguei-me, e há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

O meu coração é um pouco maior que o universo inteiro.

Parte-se em mim qualquer coisa. O vermelho anoiteceu. Senti demais para poder continuar a sentir. Esgotou-se-me a alma, ficou só um eco dentro de mim.

Ah, não estar parado nem a andar, não estar deitado nem de pé, nem acordado nem a dormir, nem aqui nem noutro ponto qualquer, resolver a equação desta inquietação prolixa, saber onde estar para poder estar em toda a parte, saber onde deitar-me para estar passeando por todas as ruas, saber onde.

Nada me prende a nada. Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.

De tão interessante que a vida é a todos os momentos, a vida chega a doer, a enjoar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas, e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos.

Amo esta coisa que é hoje estar do lado irreal, o fim que há nisso, o meu dever de compreender o incompreensível.

E tudo isto, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

A única conclusão é morrer.

Pensar faz mal as emoções.

Sempre falta alguma coisa.

E o que parece não querer dizer nada sempre quer dizer alguma coisa...

Pensar isto faz frio, faz fome duma cousa que se pode obter.

Tudo isto hoje é como sempre foi...

És o que falta a tudo. És o que a cada coisa falta para a podermos amar sempre.

O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece.

A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensibilidade como o obstáculo para a energia.

Em toda a filosofia humana, em toda a ciência, há sempre uma ideia fundamental - variável segundo os sistemas e as ciências - que nos esquecemos de provar.

Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, nimigo supremo da liberdade e da humanidade.

O que é preciso é cada um multiplicar-se por si próprio.

Vale a pena sentir para ao menos deixar de sentir.

Agir é intrometer-se na ilusão geral, perturbar a ordem do Universo.

Suave é viver só.

Sem a loucura que é o homem.

Vive o momento com saudade dele.

Quando mais desço em mim mais subo em Deus...

Basta pensar em sentir.

Nunca encarei o suicídio como uma solução, porque eu odeio a vida por amor a ela.

Reduzir as necessidades ao mínimo, para que em nada dependamos de outrem.

Sê sempre imprevisto para ti próprio.

O essencial da arte é exprimir; o que se exprime não interessa.

Mais valem dois pássaros na mão do que um a voar.

O Universo não é uma ideia minha. A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha. A noite não anoitece pelos meus olhos. A minha ideia da noite é que anoitece por meus olhos. Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos A noite anoitece concretamente E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso. Assim.

Vive sem horas.

O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.